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Na Cidade (excerto, in Sonhando o que te contarei mais tarde)



― Não é motivo suficiente? Tem em conta a época em que isto se passou. Aliás, nem que fosse hoje, seria sempre uma desonra para qualquer família.
― Mas não achas que a devemos tratar como uma pessoa, que ela é, ainda por cima da família? Ninguém merece ser rejeitado pelo que é. Não fez mal a ninguém.
― Lá isso é verdade.
― Mesmo que as pessoas ficassem sentidas, ou mesmo perturbadas com o comportamento dela, não será altura de acontecer um qualquer processo de cura, ou perdão, cicatrização?
― Não sei, meu. Nem quero pensar nisso. Por que é que achas que eu saí daí? Babilónia, mano. Muita confusão. Muito problema. Sabes o que odiava na cidade? Não era o barulho, os carros a apitar, os autocarros que, ao passarem, abanavam o prédio, os bêbedos na rua aos gritos, que não deixavam ninguém dormir. Não era isso. O que eu odiava era o modo como as pessoas não se davam umas com as outras. As discussões. Os preconceitos. A falsa moral. Opressora e hipócrita. A cidade é isso, para mim, mano, e tão cedo não me apanhas a viver aí. Não sei como ainda consegues. Quanto ao resto, não me interessa se a Z. era santa ou puta, empregada doméstica ou drogada. Isso é a vida dela.







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O Anjo Azul

O Anjo Azul (excerto, in Sonhando o que te contarei mais tarde)

(...) Bem, tu nunca me usaste, e eu nunca te usei. Excepto daquela vez em que tu te engasgavas com o teu corpo e eu emprestei-te o meu e tu ficaste contente. Eu sabia que tu ias ficar bem vestida de mim! Eu é que nunca consegui. Isso tirou-me a paz toda que o mundo necessitava. Como num baile negro, tu vieste vestida de  preto de cima abaixo. “Eu só me quero sentir dentro de ti. Só quero ser o teu coração a bater, os teus olhos para me ver, quero perder qualquer coisa dentro de ti para lá voltar outra vez. E farei tudo isso por ti, não por mim…” Disse-te. (...)

Sonhando o que te Contarei mais Tarde




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Sonhando o que te Contarei mais Tarde de Hélio Teixeira, é uma deliciosa colectânea de 16 contos, que prometem surpreender o leitor, quer pela sua originalidade, quer mesmo por alguns dos seus finais desconcertantes. Os contos presentes são:

O Anjo Azul; Estocolmo; Ossos do Ofício; Na Cidade; E foi assim que me tornei um prostituto masculino; A Noiva Esquecida; Desmarx; No Sonho; O Telefonema; Da Primavera e do Outono; Sinestesia; A Soberba ; O Canto da Sereia; Tínhamos ambos 19 anos e sonhávamos o futuro como se faltassem eternidades; Pássaro Enjaulado.

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sonhando o que te contarei mais tarde

estimativas apontam para dia 23! a data em que o livro estará pronto... já sabem em que gastar uma ínfima parte do subsídio de natal :)

sonhando o que te contarei mais tarde

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SONHANDO O QUE TE CONTAREI MAIS TARDE



(brevemente disponível)



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Ossos do Ofício - excerto



A rua estava apinhada, como de costume, e a tarefa de a atravessar parecia uma missão impossível. Senti os ossos ranger quando media a distância para a passadeira: 20 metros (no mínimo). Teria que atravessar fora dela, 2 faixas de rodagem, num só sentido. Esperei uns bons 9 minutos até detectar um espaço entre os carros que passavam e aqueles que pararam na passadeira. Felizmente um grupo de turistas japoneses decidira atravessar a rua em cadência lenta. Era a minha grande oportunidade. Quem me visse pensaria tratar-se de um paralítico. Se estendesse a mão e murmurasse umas palavras de súplica, era bem capaz de receber uma moeda de um transeunte mais distraído, que não reparasse no fato e gravata!

Sonhando o que te Contarei mais Tarde - primeiros rumores

Ainda não há datas, ainda não vi o objecto em si, ainda não está pronto o design gráfico... mas raios, já me cheira a qualquer coisa. 16 contos por 16 euros... Um longo caminho desde 1996, quando vendi ao meus colegas de turma 3 folhas A4 dobradas, perfazendo 10 páginas, por 100 escudos, contendo uma coisa chamada Short-Stories (Black Cat Editions), escrita em inglês, sem saber bem o que estava a fazer.

Para já, quero agradecer imensamente à Ana "Alexia" Salgado, pelo empenho e pelo bom-gosto! Obrigado!