Sequeirô e Covilhã


Apurados os resultados finais da sondagem sobre Sequeirô, noto que aconteceu um empate entre aqueles que não sabem o que é isso e os que sabem que aquilo é muito confuso. Confuso? Também eu fiquei, mas ainda espero por uma reunião com um senhor da Arriva que, com certeza me vai explicar tudo isso direitinho.

Entretanto voltei da Covilhã, onde me diverti bastante (mesmo quando estava bêbedo), e encontrei a tal Mariana que [Alexia] me tinhas falado (parece que ela é surda aos domingos, porque gritei, gritei, gritei, e ela só me ligou quando corri atrás dela com o meu focinho escancarado, e me reconheceu passados três segundos da mais absoluta confusão mental, tipo, "donde é que eu conheço este gajo"), mas ela não quis vir para cima (também não quis insistir muito porque não tinha lugar para ela na carrinha). A feira medievalesca foi assombrada pela chuva mas melhores dias virão, e quem sabe o verão.

O Benfica é campeão.

Lembrei-me agora de uma experiência que fizeram a umas rãs, a propósito da surdez funcional selectiva da Mariana. vamos a votos.

Clitrofa

Envio de mensagens







quem vem do porto pela autoestrada e sai para a trofa/sts, depara-se com um outdoor publicitário deveras perturbante (no bom sentido) pelo conteúdo sexual subliminado. A arte gráfica não é de todo sublime, mas nem eu me lembraria de tão rebuscada conjugação de palavras e imagem. Em primeiro lugar, o próprio nome do anunciante, que é supostamente um truncamento das palavras clínica e trofa, mas resulta num neologismo que só me faz lembrar o órgão de prazer feminino, prazer esse elevado a uma categoria extâtica pela foto da jovem loira sorrindo e revirando os olhos, com uma flor junto à pele delicada da sua cara. escusado será dizer que uma flor, mais particularmente uma rosa vermelha, é, em qualquer parte do mundo, metáfora visual para aquilo que as mulheres têm no meio das pernas, e não estou a falar dos joelhos (é, estou a abusar dos eufemismos para não ter de usar palavra começada por C e acabada em A que tem as letras O e N no meio, apesar de este blog estar agora protegido contra olhos mais precoces por um forte sistema de segurança que consiste em ter de carregar num botão que diz permitir, como em "permitir ver material só para adultos", ou seja coisas porcas como reposições de episódios do McGyver e fotos da tua namorada nua - tens? não tens? queres comprar?)


Mas voltando à vaca fria, e não me refiro à bela donzela de sorriso níveo de 38 dentes que o reclamo ostenta, outras palavras me deixaram a soltar gargalhadas perversas de poucos decibéis, como o Peter Griffin quando prega uma partida ao Brian, ou melhor, como o Fike ao sábado à noite na roulotte do sr domingos quando alguém diz uma piada. as palavras são o lema da empresa "construímos sorrisos", e que maneira melhor de construir sorrisos senão debaixo para cima (consigo quase imaginar a continuação da foto da moça, com o seu corpo nu e uma cabeça de um adolescente, tipo naquele filme Ken Park, a lambuzar-se em tulicreme que ela lá pôs para o ludibriar), e por fim a descontextualização total da palavra "oral", que me chega para fazer um filme e pêras sobre o que se passa nesse consultório de dentista, com as suas assistentes marotas de bata branca sem nada por baixo, mas aquelas batas pequeninas, que lhes dão pelas coxas carnudas e são tão apertadas que mal cons
eguem abotoar a zona dos seios... hmmmnnnnnnaaaahhh *Homer Simpson babando-se ao enquanto diz donuts*


Bem, antes que me transvie totalmente do assunto (ou pelo contrário!), devo concluir que tudo neste mundo de criações dúbias, que é a comunicação em massa, pode ser encarado como um teste de roscharch cujas respostas estão sempre certas, e finalizo com a verdadeira questão aqui, que são as mensagens subliminares da publicidade, e aquilo em que ela nos põe a pensar. Pelo menos conseguiram que eu escrevesse um artigo-"poste"-log-mensagem sobre o cartaz publicitário, o que é dizer que cumpriram o objectivo principal de ganhar visibilidade. Eu acho que nunca mais me esqueço do nome da Clitótrofa...

post scriptum: o logo parece-se totalmente com um G... para bom entendedor, meia palav...

50 autores influentes do século XX - versão subjectiva da revista LER

Claro que muitos deles estão nas minhas preferências, e é claro que há muitos que me tocaram profundamente e estão ausentes da lista, mas não posso deixar escapar a oportunidade de, partindo dos 50 autores mencionados, enumerar os livros que li deles, pelo menos os que me marcaram de forma positiva e permanente, de tal forma que ainda hoje me recordo perfeitamente das sensações que me proporcionaram. é por isso que lemos, não é? para termos sensações?

ok, não especialmente ordenados, nem classificados, estes são alguns dos livros que recomendo da lista bem construída (com pequeno texto sobre vida e obra dos escritores - vale a pena dar uma olhada, pode ser que nos desperte uma súbita curiosidade sobre algum nome até então vagamente familiar) que encontrei aqui.

Ernest Hemingway - o velho e o mar

Gabriel Garcia Marquez - ninguém escreve ao coronel

Carl Sagan - contacto

Fernando Pessoa - ... o que dizer, tudo o que ele escreveu?

Franz Kafka - a metamorfose - o processo - américa - o castelo - carta ao pai

Herman Hesse - siddartha

William Faulkner - o som e a fúria - luz em agosto

Jorge Luís Borges - ficções

Jean Paul Sartre - náusea

Vladimir Nabokov - lolita

F. Scott Fitzgerald - o grande gatsby

Umberto Eco - o nome da rosa

J. D. Salinger - à espera no centeio

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Esta lista de livros parece-me tão incompleta, mas a sua brevidade agrada-me. talvez em futuros "postes" me apeteça fazer a Minha lista dos autores que mais me influenciaram. em honra de pessoas geniais como Paul Auster, Ian McEwan ou Flannery O'Connor. especialmente Flannery O'Connor que os outros dois ainda estão bem vivos ao ponto de me poderem desiludir no futuro (embora o passado já lhes tenha assegurado um lugar na minha lista de influências mais indesmentíveis).

so it goes, como diz outro incompreensivelmente excluído (Kurt Vonnegut Jr.)

O porteiro da discoteca Gare

- Bem, então a seguir ao jantar saímos de casa e passamos no 77, mas como aquilo tava cheio, decidimos ir logo para o Gare, até porque já eram quase 2 da manhã. Mas ao entrarmos, o porteiro bloqueou-me! não me deixou entrar! e eu pergunto-lhe porquê? e ele responde que não me pode deixar entrar com uma camisola do Benfica, e eu "a sério?", e ele "huhu", e eu "que é que isso quer dizer?" e ele ignorou-me e mandou umas gajas que estavam atrás de mim entrar. Eu olhei para o pessoal e disse, vamos bazar daqui, e toda a gente concordou. Só que eu virei-me para o porteiro, antes de ir, e disse-lhe "boa sorte para a operação". ele ficou confuso e continuou calado. finalmente o César perguntou-me "como sabes que ele vai ser operado?", e eu, muito alto, para toda a gente num raio de 40 km ouvir, respondi: "Então não sabes? Este sujeito vai receber o primeiro transplante cerebral da história da medicina. Veio nos jornais todos, grande avanço tecnológico, só que a cena é que eles só têm feito experiências em galinhas, e então vão meter-lhe na cabeça um cérebro de galinha, o que no caso dele é um upgrade impressionante, e ele vai continuar a poder cumprir as suas funções básicas, como grunhir quando alguém lhe pergunta alguma coisa e saltar feito louco para cima das pitas na idade de serem galadas, mas vai fazer coisas que não conseguia antes, como por exemplo ter uma fixação oral por bicos ou ser o primeiro a acordar lá de casa, e fazê-lo a cantar!

- Disseste mesmo isso ao gajo?

- Hmmm... não. só imaginei a resposta quando cheguei a casa e me pûs a pensar na cena...

- Não deixa de ser lindo. épico até?

- A sério?

- Ok, é uma treta...

Como Cães



― Cara de cu!, acorda, temos de ir.

Abri os olhos e vi quem estava a dizer aquilo: O mesmo cabrão que ontem à noite me abandonou e foi ter com uma gaja qualquer que conhecemos há umas horas atrás. Era só isso que ele significava para mim naquele momento. Yá, ele é meu irmão, tá bem, e temos de nos meter no carro o mais rápido possível para chegar a casa a tempo, mas os irmãos têm aquela cena de ser irmãos, que é mais forte do que ser amigos! E os amigos não discutem por causa de uma gaja, quanto mais os irmãos!

― Ontem fui para a tenda da gaja – diz ele.

― Sim? E depois? – eu não me podia interessar menos.

― Deixei lá a minha camisola… Agora é que estou a ver.

Levantei-me e fui dar uma mija. Os irmãos não deviam discutir por causa de gajas. Tá bem que não chegámos a discutir, mas isso foi porque eu deixei que ele ficasse com ela. Ela também não era muito o meu estilo. Problemas a mais e mamas a menos. Para bem dele, só espero que o sexo tenha sido aceitável.

Eram 5 da tarde quando a engatámos. Sim, porque eu e o meu irmão vamos juntos às gajas. Ela passou por nós e eu mandei a boca. Qualquer coisa tipo “Olá sorriso bonito!”, não me lembro bem, estávamos muito bêbedos. Ela também estava, acho eu, de modos que olhou logo para trás e sorriu.

― Ela riu-se para nós! – disse o meu irmão, levantando a garrafa de cerveja bem alto.

― Claro que se riu, seu idiota, vamos atrás dela, anda daí!

Levantámo-nos e fomos atrás dela. Ela sorria. Estava à nossa espera uns metros à frente. Ou isso ou estava a admirar a paisagem.

Mas dois irmãos não devem discutir por causa de uma gaja. Isso é o que eu penso. A sério que penso. E é o que o meu irmão me diz, e eu também lhe digo a ele. Mas acho que ele só diz isso quando a gaja não se interessa por ele. Mas esta aqui não caía nem para um lado nem para o outro. Tanto se fazia a ele como a mim. Vê-se que estava com o cio, ou lá o que é. Um de nós ia ter coisa. Não digo os dois, porque uma vez tentamos a três com uma gaja e foi tão esquiso ter o meu irmão ali nu a meu lado, a trepar para a mesma gaja que eu… A meio perdi a tusa e vesti-me. Quando o meu irmão acabou veio cá fora ter comigo e disse “Esquisito, não é?”. A cena é que, para ele, pode ser esquisito, mas continua na mesma. Eu já não sou assim.

Na verdade, a tal gaja estava à nossa espera, porque disse “Olá rapazes!” E riu-se. Eu olhei para o meu irmão, ele olhou para mim, e acho que os dois estávamos a pensar o mesmo. Aquela era certa. Começou a paquerar comigo, depois com ele, e de novo comigo. A certa altura engatei numa conversa com ela. Parece que ela é prima de um amigo meu da tropa. Foi uma coincidência mesmo, descobrir. Perguntei-lhe de onde era e ela disse da Madeira. “Porto Santo?” arrisquei, e ela disse que sim: “Como é que adivinhaste?”

― O sotaque é único. Tenho ouvido para essas coisas.

Claro que não tinha nada, disse aquilo porque a única pessoa madeirense que conhecia era o Teixeira da tropa.

― Deves conhecer o Teixeira – perguntei-lhe. Aquilo no Porto Santo deve ser uma aldeia pequena, e todos se conhecem nas aldeias. E nas conversas com gajas que conhecemos mal, temos de perguntar por coisas que elas conheçam ou se interessem. Não podemos logo começar a falar sobre o que gostamos, senão elas cagam para nós. Quem é a gaja que gosta de futebol e carros e gajas? Se houver uma assim, de certeza que não a quero para nada.

Bem, a cena é que ela disse: “Teixeira! Eu sou Teixeira!”

E eu logo, “Olhei para ti e topei que tinhas uma cara parecida com o Teixeira”. O que é mentira. Ela não se parecia nada com o Teixeira. Ele é um gajo alto e moreno, ela é baixa e alourada.

― Como é que se chama esse Teixeira que conheces de Porto Santo? Qual é o primeiro nome dele?

― Nuno – disse eu – acho que é Nuno. Alto, moreno…

― Esse é o meu primo Nuno!! Uau, que coincidência.


E foi a partir daí que começou a falar comigo da vida dela e eu a achar interessante um monte de merdas chatas. O que um gajo tem de fazer.


O meu irmão é que viu o espaço dele a ficar apertado e começou a dizer para irmos para outro sítio, ou para ir comprar cerveja, não me lembro. Bem, eu continuei a levar com a gaja e os problemas dela com a droga e os ex-namorados e cenas assim. Quando nos sentamos na esplanada colei-me a ela e o meu irmão ficou de frente para mim. Ele é um cabrãozito. Não desiste. Enquanto eu não a tiver nas minhas mãos, ele fica sempre à espera que me distraia. É um jogo que ele domina bem.


Quando me levantei para ir pedir mais cerveja, o meu irmão saltou logo para o lado dela e a mão dele começou a trepar por ela acima. Não sei como é que ele consegue estas coisas. Não pode ser por ser mais bonito que eu, afinal somos gémeos! Sentei-me em frente a eles e comecei a ver o filme. Quando ela foi à casa de banho perguntei-lhe:


― Já a tens na mão?


― Achas que sim maninho? Não tenho nem sequer desejo tê-la. Topei que ela está mais interessada em ti, há pouco bateu-te um coro de meia hora!


Olhei-o de lado e comecei a rir-me. Ele riu-se também e veio abraçar-me: “Não podemos deixar que uma gaja se meta no meio de nós”. Eu pensei “já tentámos e não correu bem”.


A gaja chegou e disse que tinha de ir jantar com os pais, mas que lá para as 10 estava livre. Dissemos “yá, tudo bem”, mas ela apenas olhou para o meu irmão quando disse “Aqui às 10?”. Ele não fez mais que abanar com a cabeça e ela piscou-lhe o olho como resposta.


― Acreditas agora que já a tens na mão?


― Não tenho nem quero! – disse ele muito sério.


No fim de jantar só me disse que ia comprar tabaco e que vinha já.


Só o vi na manhã seguinte.

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